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Um estudo em branco

  • elementarcontos
  • 29 de mai. de 2018
  • 6 min de leitura

No ano de 2017 fui atingido por uma M16 enquanto exercia meu trabalho de médico militar. Eu estava fechando pontos do ferimento do meu companheiro, Anton Lestrade. Ele saiu sem muitas sequelas, mas eu não tive tanta sorte, precisei usar bengala por alguns meses. Por tais motivos, fomos dispensados do serviço militar e enviados para Londres, onde dividíamos um chalé. Anton não passava muito tempo em casa, pois tinha conseguido um emprego na Scotland Yard. Eu também não passava muito tempo em casa, costumava fazer caminhadas diárias pelas ruas de Londres. Em uma dessas minhas caminhadas, algo chamou a minha atenção. Um grupo de pessoas amontoadas em frente a uma porta, e no centro, haviam três figuras: um cadáver, Anton e um homem analisando o cadáver. Ele usava um chapéu estranho e fumava um cachimbo. Ao me ver, Anton ficou espantado e veio ao meu encontro: - Watson, o que está fazendo por aqui? - perguntou confuso. - Nada demais, só mais uma das minhas caminhadas diárias. No mesmo instante, o homem com o chapéu estranho se dirigiu a mim: - Médico militar, imagino... - falou com uma expressão serena em seu rosto. Espantei-me, pois nada que eu estava vestindo o faria perceber aquilo. Imaginei que o Anton tivesse me mencionado para ele, então respondi: - Sim, sou médico. A expressão do homem demonstrou que ele não estava surpreso com minha resposta. Fiquei curioso pra saber quem era aquele homem e o que ele fazia. - Como eu imaginava. Será que você poderia examinar o corpo? - ele disse deixando o Anton confuso, e eu também. Mesmo assim fiz o que ele pediu. Percebi que não haviam marcas de agressão ou qualquer tipo de ferimento. O corpo estava ali há aproximadamente 25 minutos. Encontrei um tipo de carta ou bilhete no bolso do jaleco da vítima. Entreguei-a para Anton, que olhou e pareceu não compreender o que estava escrito, então a entregou para o homem. Ele se virou para mim e perguntou: - E então, doutor. Concluiu algo? - Bem, é difícil dizer. Não há nenhuma marca de agressão, precisaria dos equipamentos adequados para saber o que realmente aconteceu. A pele da sua mão está corroendo, portanto suponho que ela tenha sido envenenada. - fiquei esperando uma resposta, mas ele parecia pensativo e atônito ao mundo real, como se estivesse viajando em seus próprios pensamentos. Depois de um tempo ele investigou o local de forma muito atenta e tirou uma lupa bolso, colocando-a sobre a mão da mulher e logo depois, na maçaneta da porta. Ele se dirigiu a mim falando: - Anton e doutor, sigam-me. Táxi! - o homem falou chamando o táxi mais próximo. Quando estávamos dentro do táxi, um silêncio constrangedor tomou conta do local, e ele finalmente se apresentou: - Sou Sherlock Holmes. - disse estendendo a mão para me cumprimentar. - É um prazer, Sherlock Holmes. Sou o Dr. John Watson. Imagino que Anton já tenha me mencionado para você. - Na verdade ele não me falou nada. Apenas deduzi que você é médico. - fiquei pensativo, como ele poderia saber aquilo sem nenhuma informação prévia? - Como isso é possível, Sr. Holmes? - Simples, Dr. Watson. Seu cabelo e sua postura indicam que você é militar, presumi que estudou em Barts, então é médico do exército. Seu rosto é bronzeado, você manca ao andar, mas ficou de pé como se não tivesse nada. O mancar é em parte psicológico, foi ferido em ação. - quando o Sherlock acabou de falar, fiquei impressionado e sem reação. - Impressionante, Sr. Holmes. Tudo que disse está correto. O táxi nos levou para um hospital, onde entramos em um laboratório e Sherlock tirou um lenço do bolso. Perguntei o que era aquilo, e ele respondeu: - Não seja tolo, Dr. Watson! Passei esse lenço na maçaneta da porta para analisar o que realmente tinha ali. Depois de um tempo analisando o lenço no laboratório, o Sr. Holmes nos falou sua conclusão: - Então isso realmente se trata de um veneno. Mas tem algo estranho, nunca tinha visto algum como esse antes. Sendo assim, pude ter a certeza que ela era química. Mas as evidências da cena do crime já nos diziam isso, levando em conta que ela estava usando jaleco e foi encontrada morta em frente à uma empresa farmacêutica. - disse Sherlock - Bem, então acho que não temos mais nada para ver aqui. Mas e aquele bilhete que eu entreguei a você, Sherlock? - perguntou Anton Sherlock tirou o bilhete do bolso e o colocou sobre a mesa, onde consegui ler: 27/ 6-92-88 /e-16-73 /em/ de-34-7-23-8-l-23-53-me-7-81-8 /7-8 /35 Pra mim aquilo não fazia sentido, eram só algum números e letras jogados aleatoriamente. Mas alguma coisa me dizia que Sherlock sabia do que se tratava. Depois de 5 minutos pensando, ele pediu caneta e papel. E então começou a explicar o código enquanto o decifrava: - Isso se trata de um código usando a tabela periódica, obviamente. Os números representam a massa atômica de cada elemento, as siglas formam as palavras. E as letras completam as palavras que não tem sigla correspondente. A barra indica espaço, e o traço, separação das siglas. - Sherlock explicou. - E o que ele significa? - perguntei. - Significa: a cura está em desenvolvimento no Brasil. Sendo assim, acho que deveríamos falar com algumas pessoas. - Então vamos para a empresa farmacêutica, lá iremos encontrar as pessoas que precisamos falar. - disse Anton Eu, Anton e Sherlock pegamos um táxi para a empresa farmacêutica, algo dentro de mim perguntava o que eu estava fazendo ali, mas na verdade eu não sabia como responder. Como diabos fui me meter com um detetive e um agente da Scotland Yard? Bom, acho que certas coisas simplesmente acontecem. Chegando lá, Anton se identificou e disse que precisava falar com algumas pessoas sobre o assassinato que tinha ocorrido. Ele pediu para falar com alguém que trabalhava com a vítima. Uma mulher chamada Alice veio falar conosco. Segundo as informações que tínhamos, ela era colega da vítima, as duas estavam trabalhando em um projeto. Sherlock falou: - Então, Alice. Conte-me o que sabe - Bem, a Sun Hee conseguiu escapar da Coréia do Norte. Ela conseguiu chegar aqui na Inglaterra, se destacou como uma ótima profissional. Nós estávamos trabalhando em um recém descoberto veneno, ninguém mais tinha informações sobre ele. Só eu, ela e nosso outro parceiro. Na verdade eu não tinha acesso à todas as informações, meu conhecimento sobre esse veneno ainda é quase nulo. - explicou Alice - Quem era o outro parceiro, Alice? - Sherlock parecia interessado - Carter, ele trabalha aqui na empresa. - Obrigado pelas informações, Alice. - disse Anton Achei estranho a vítima ter conseguido fugir da Coréia do Norte, mas mesmo assim permaneci em silêncio. Pelo pouco tempo que tinha passado com Sherlock, sabia que ele iria querer interrogar Carter também. - O que iremos fazer agora? - perguntou Anton - Não é óbvio? Interrogar Carter. - disse Sherlock Sherlock pediu para falar com Carter, que logo veio nos encontrar. Quando ele chegou, sabia que já tinha o visto em algum lugar, provavelmente na multidão da cena do crime. Carter parecia nervoso, diferente de Alice. - Carter, o que sabe sobre Sun Hee? - Sherlock estava com aquela expressão pensativa de novo - Ela era uma ótima profissional, mas guardava muitos segredos, nunca falava sobre sua vida pessoal. Eu até tentei algumas vezes saber mais sobre seu passado, mas ela nunca entrava em detalhes. Apesar disso, ela era uma companhia, por isso estou muito triste por sua morte. - É verdade que vocês estavam trabalhando em um veneno recém descoberto, Carter? - Sherlock parecia ainda mais interessado - Sim, é verdade. - Carter estava cada vez mais nervoso Sherlock tira do bolso algemas e prende Carter, fiquei sem entender. Então ele tinha matado Sun Hee? Sherlock tinha informações suficientes para prender aquele homem? - O que está fazendo? - gritou Carter - Você está preso por homicídio qualificado, Carter. - disse Sherlock - O que te faz pensar que fui eu? - O que me faz saber que foi você é muito simples. Ninguém além de vocês dois sabia como usar o veneno, enquanto falava comigo você tremia e desviava o olhar, isso significa que você estava mentindo. Além disso, na cena do crime eu vi você pegando na maçaneta, mas você está vivo. Sabe a dosagem certa para matar apenas uma pessoa. - explicou Sherlock - Ela não fugiu da Coréia! Ela foi enviada para coletar informações sobre uma arma química que está sendo projetada com o novo veneno! - Carter falou Sherlock parecia ter entrado em seus pensamentos de novo, não falou nada. Percebi que ele fazia muito aquilo. Depois de toda a revelação é descoberta do assassino, saímos da empresa. Senti como se tivesse cumprido meu dever, foi uma sensação muito boa ajudar na resolução desse crime, até me senti feliz de novo, algo que não sentia há muito tempo. Do lado de fora da empresa, Anton vem falar comigo: - John, tenho más notícias. Não vou mais poder dividir o chalé com você, vou me mudar para um apartamento pequeno mais perto do trabalho. Mas não se preocupe, posso esperar até você arrumar outro lugar para ficar. Eu não sabia o que falar, não sabia onde ir. Eu não tinha condições de pagar o aluguel do chalé sozinho. Sherlock veio em minha direção e falou: - Dr. Watson, acho que posso ajudar. Tenho um apartamento, 221B, fica na Baker Street. Tem espaço para mais um. - Obrigado, Sherlock. Será que posso conhecer o apartamento? 

 
 
 

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